domingo, 20 de novembro de 2011

Coluna: Mídia - Revistas femininas e o "amor" por obrigação

Como futura jornalista, muito me surpreende e preocupa um determinado tipo de revista: o agrada-homem.  Crescemos lendo essas revistas nos salões e nas salas de espera, e, de uma forma ou de outra, parece que é natural almejar para a vida não um relacionamento bacana, mas sim o prazer do outro.

Mulher é seio, já me disseram. Nasceu para se doar, para amar, para cuidar. Discordo completamente. Mulher, definitivamente, não é isso. Pelo menos não era pra ser.
O fato é que essas revistas acabam colocando na cabeça dessas mulheres que é isso que elas tem que ser, uma máquina de sexo ousado – para agradar o marido, claro , um corpo bonito e impecável, o que inclui um cabelo assim e uma bunda daquele jeito.

Tudo bem, em um relacionamento há de fato a vontade de agradar o outro. Isso é natural  quando pensamos em relacionamentos “normais”, em que o respeito e o amor indissociáveis predominem. Mas e quando essas mulheres são apenas objetos de desejo, máquinas de criar filhos? E quando essas mulheres são violentadas com palavras (ou não só com elas)? Será que essas revistas que pregam dicas pra um casamento perfeito, manuais de um sexo quente pra deixar o parceiro louco etc não acabam colaborando pra um quadro em que a mulher é a quem se dá e o homem aquele que recebe? Acho que sim.

A Revista TPM - que aliás é minha revista preferida e  além de ter ótimo conteúdo, sabe ser feminina (de verdade!) sem ser feminista-chata -  trouxe no mês de maio uma matéria que me fez pensar sobre isso, e logo na manchete já traz : “Fala baixo! Você acha normal seu namorado gritar com você? Então por que deixa? Tpm investiga.” De alguma forma, acho que essa atitude acaba tendo um potencial modificador muito maior do que imaginamos. Ainda bem.


(por Layse Moraes)

0 comentários:

Postar um comentário