Assistir a Água para Elefantes (Water for Elephants, Estados Unidos, 2011) pode ser uma experiência um tanto frustrante. A adaptação do diretor Francis Lawrence (Constantine, Eu Sou a Lenda) para o best seller de Sara Gruen (P.S.: Eu Te Amo) não é de todo ruim, mas deixa a impressão de que poderia ter sido bem melhor do que foi.
O enredo, ambientado na Grande Depressão norteamericana (década de 1930), gira em torno do jovem Jacob Jankowski (Robert Pattinson, Saga Crepúsculo), estudante de veterinária que abandona o curso às vésperas de concluí-lo, em decorrência da trágica morte de seus pais. Afogado em dívidas e sem herança, Jacob vai parar no circo dos Irmãos Benzini, onde é contratado pelo proprietário, August (Christoph Waltz, Bastardos Inglórios), como supervisor dos animais.
Jacob tem desavenças com August quanto ao tratamento dos bichos, em especial de Rosie, uma elefanta considerada intreinável e a quem August busca subjugar pela violência. Em meio a isso, o veterinário apaixona-se pela atraente Marlena (Reese Wintherspoon, Johnny & June), a voluntariosa esposa de seu patrão e principal artista do elenco. Marlena e Jacob compartilham o amor pelos animais, e a aproximação tanto idealista quanto amorosa não tarda a despertar a ira de August Rosenbluth.
O roteiro de Richard LaGravenese (As Pontes de Madison, Escritores da Liberdade) demora para se encontrar. A trama avança a passos lentos, chegando a ser cansativa. O destaque dado a personagens e situações secundárias contribui com isso. Para se ter uma ideia, o primeiro beijo de Jacob e Marlena se dá apenas em 1 hora e meia de filme. Apesar da belíssima fotografia e produção de arte, e de certas semelhanças com o memorável Titanic (1997), a falta de momentos românticos entre o casal faz-se a grande decepção da história – no que, convenhamos, seria o seu mote obrigatório.
A ação dos momentos finais é intensa e culmina em um desfecho comovente e satisfatório. O epílogo, ambientado nos dias de hoje e com a participação do ótimo Hal Holbrook (Homens de Honra), complementa o enredo de tal forma que seria indispensável para o seu entendimento pleno, e a emoção e mensagem que transmite. Quase o salva de ser um filme tão chato.
Robert Pattinson começa Água para Elefantes um tanto perdido, falto de carisma e de expressão; evolui conforme a trama avança, e até demonstra alguma química com Wintherspoon. Mesmo assim, sua interpretação não satisfaz, tanto que, do trio protagonista, ele é sem dúvida o mais apagado. Reese Wintherspoon cumpre com o mínimo que se espera dela: desempenha Marlena com competência, embora não faça dela um papel marcante. Christoph Waltz, por sua vez, firma-se como o ponto mais alto do elenco, e brilha na pele do cínico e violento August. Destaque ainda para a participação da elefante Rosie, responsável por vários dos (poucos) bons momentos da película.
Água para Elefantes peca por mal-desenvolver o argumento forte, cheio de potencial de Sara Gruen. A poesia e sensibilidade da história original se mantém aos trancos e barrancos, e grande parte da emotividade se perde em um roteiro confuso e equivocado. Dá até para sair em dúvida se o programa valeu mesmo.
Assista ao trailer:
(por Felipe Brandão)

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