A Band estreou recentemente a aguardada produção infanto-juvenil Julie e os Fantasmas, que vem sendo produzida desde o ano passado em parceria com a Nickelodeon e a produtora independente Mixer. O episódio piloto da série agradou pelo texto inspirado, apesar do elenco mediano e da produção que deixa a desejar.
O roteiro de Fábio Danesi foi, sem favor algum, o grande fator-surpresa da atração. Trata com leveza, graça e empatia os conflitos tipicamente adolescentes da protagonista, Julie (Mariana Lessa), com direito a feelings imperdíveis que fazem a diferença no resultado final. Pecou um pouco, talvez, por algumas referências e trechos que cairiam bem a uma série teen americana, mas que, “inseridos” no contexto tupiniquim, soam meio forçados.
A qualidade de imagem é excelente, denotando um investimento extra da produção, mas outras carências técnicas ainda são percebidas. Os cenários não são lá muito bons, com exceção do colégio onde Julie e sua turma estudam. A direção economiza nos takes e enquadramentos, conferindo um indesejável tom de “produção independente”, que dramaturgias como a novela Água na Boca (2008) e mesmo Floribella (2005-2006) não tinham.
O elenco demonstra potencial, como Mariana Lessa, Samya Pascotto (Bia) e Milena Martines (Thalita), mas muitos se veem imaturos, até com respeito à dicção em cena. O desempenho tão fraco de Mariana na cena em que Julie fica pela primeira vez cara a cara com o trio de “assombrações” do título, saídos de um disco de vinil, deixou claro que a atriz estreante de 19 anos ainda tem chão pela frente. Por outro lado, Bruno Sigrist mostrou-se seguro na pele do fantasma Daniel, que, ao que parece, terá mais importância na saga de Julie do que os outros dois. O pequeno Vinícius Mazzola também garantiu bons momentos ao público, com as travessuras de Pedro, o irmãozinho da heroína.
Olhares críticos à parte, deve-se lembrar que Julie e os Fantasmas é voltada para a o público de 12 a 16 anos, um segmento aparentemente menos exigente no que se refere ao lado técnico e artístico. A reação deles ao programa, que também será exibido pela Nickelodeon na TV paga, é que determinará se o projeto valeu ou não à pena.
(por Felipe Brandão)

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