Los Angeles, mais um poema de vida do que uma cidade, mais uma trilha sonora do que uma metrópole. O incrível é a capacidade de transformação da cidade. Transformação de sentimentos, de ideias, de paradigmas. A cidade oferece feiras de antiguidades ao ar livre, cenas de filmes sendo gravadas na esquina de sua casa, aulas de yoga para a comunidade, empregos bons e de fácil acesso....
A diversidade cultural nos Estados Unidos, e principalmente em Los Angeles, é o que mais fascina quem vem de fora. Não são apenas diferenças de cultura entre países. É algo muito além. Pode se ver de tudo numa mesma esquina, francês roqueiro, libanês pop, cubano intelectual... E o melhor, as pessoas não vivem como se estivessem interpretando um papel para serem aceitos na sociedade, mas escolhem um estilo de vida. É como se a filosofia grudasse nos ossos deles e precisasse ser expressa através de suas roupas, atitudes, gestos e sorrisos. A intensidade em tudo é algo visivel, marcante nessas pessoas.
Aqueles quem chegam de fora se misturam facilmente com os americanos. Todos encontram receptividade nos grupos. As pessoas querem se socializar, conhecer, explorar, se ajudar.
A educação do pais é considerada egocêntrica, mas se não fosse assim, será que eles seriam os Estados Unidos que conhecemos? Entretanto essa egocentricidade é relativa em muitos aspectos. Sabe aquela historia de que não existe mais inteligente, nem menos, mas sim inteligências diferentes? Os americanos que conheci se demonstraram práticos, ágeis, comunicativos, expressivos, cheios de atitude. Lá, não basta existir, trabalhar e comprar coisas legais. Você sente uma necessidade de viver o que você prega que acredita, ou então se perde no meio de outros com mais atitudes que você.
Uma pergunta permeia os pensamentos de qualquer pessoa que fica um tempo morando lá. "Será que é a vida que imita a arte, ou a arte é que imita a vida?". As situações que vivemos nos envolvem, e tiram de nós o melhor, nos surpreendendo em todos os aspectos, inclusive na semelhança com os fatos narrados nas telonas.
Los Angeles é uma cidade enorme, que teve de ser dividida em "bairros" que se comportam mais como mini cidades dentro de uma mega cidade. Malibu, Venice, Santa Monica, Passadena, San Pedro, Hollywood, Los Feliz, Beverly Hills.... Cada bairro tem sua característica marcante, cada bairro tem seu ritmo de vida.
Venice beach é uma praia encantadora, cheia de hippies, ativistas, espiritualistas, regueiros... Todos reunidos numa mesma praia, compartilhando um estilo de vida livre. Todos os finais de semana, às 4 horas da tarde eles se reúnem na areia, em frente o mar, para celebrar o pôr-do-sol. Crianças, velhos, jovens, homens e mulheres, tambores, flautas, violas. A emoção toma conta de você. Quando se dá por si, lá está você também, celebrando o pôr-do-sol com mais umas 200 pessoas que você nunca viu e nunca imaginou ser possível existir.
Hollywood... confesso que me apaixonei por essa mini cidade muito loca. Na Boulevard tem uma escola de música que traz jovens aspirantes a ídolos musicais e torna a rua um desfile de esquisitos. Todos misturados, todos com atitude forte, todos encantadores. Lá também é onde ficam uma boa parte dos homeless da cidade, dos mendigos, que não são tão mendigos assim, têm dinheiro para viver, comer, mais não conseguem bancar uma casa, uma vez que a moradia lá é extremamente caro. Pessoas fantasiadas de personagens marcantes dos filmes acampam na frente do Teatro Kodak para pousarem para fotografias com os turistas e ganhar com isso 2 dólares por fotografia. Mas senti que o que eles buscam é mais diversão. Essa expressão de vida, essa paixão se expande pelos outras cidades do país. Nova York parece um cenário de fotografia, hawaii, o do sonho de todos.
Nova York se assemelha com uma maquete. A beleza da cidade parece algo geométrico. Tudo se encaixa, tudo combina. A cidade foi feita para se explorar. Cada pedaço te convida. O incrível é ver que tudo se assemelha ao que vemos nas telas, porém muita coisa fica escondida. Times Square é a locura que vemos em filmes hollywoodianos, porém nela vemos mendigos que as telas escondem, e o dia a dia da cidade que te consome.
O movimento é frenético, e mais uma vez, a diversidade cultural toma conta da cidade. No trânsito, todos buzinam, gritam, é uma loucura. Não é uma cidade fácil, e reúne pessoas que querem mais da vida e de si. Todos se dedicam e muito à vida profissional, à aparência, à conquistas materiais. Lá aprendemos a ver a vida do lado avesso, a conhecer nossa outra face, e consequentemente nos vemos na necessidade de nos perdoarmos e seguir em frente. Museus, restaurantes, lojas, tudo tem uma arquitetura estonteante, que te segura o olhar. Cavalos na rua, para os passeios românticos, sim, é de verdade! Lá também te é exigido atitude, e firmeza. Curiosidade é algo mais que necessário, uma vez que os melhores serviços, como restaurantes, lojas, bares, estão escondidos. Então, ou você conhece alguém que te leva à esses misteriosos lugares, ou usa da sua curiosidade para chegar lá. Como em uma grande loja de departamento, tem que fuçar, cavar na cidade para se chegar ao ouro.
A melhor maneira de se locomover é a pé, e sem direção. Porém, leve um mapa para se encontrar. Mas se perder na cidade é uma delícia, se encontrar então, uma prova de bom senso de direção. Comer também é uma aventura, e mais uma vez, os lugares mais escondidos são os melhores. Todos te ajudam se você se perder. Todos adoram dar dicas, e fazer amizades. Comprar é uma maravilha, pois na América não se tenta ganhar dinheiro com as vendas, mas sim vender um grande número de produtos, então tudo lá é muito barato. Andar na rua é participar de um desfile de moda à plena luz do dia. Todos os estilos no mesmo quarteirão. Ninguém tem vergonha, pois ninguém olha, então a liberdade de expressão é fácil de existir. Nova York é uma cidade que todos devem conhecer. Em um dia você se apaixona, em dois aprende a se localizar, em três não quer mais sair de lá.
O Hawaii é sem palavras. Um lugar paradisíaco. É formado por nove ilhas. Estive apenas em uma, que acredito ser a mais conhecida. O nome da ilha é O`AHU, nela estão Waikiki, praia dos ricos, Honolulu, parece mais praia de barbie, a areia é branca, o mar azul como o céu, a vegetação verde e parece de plástico. Também na mesma ilha econtramos o Pipeline, praia de surfistas, que no inverno fica até proibido molhar os pés na água, pois se corre o risco de ser levado para a fúria das ondas. Também foi lá que ocorreu o episódio do Pearl Harbor, muito interessante de visitar. Pareceu-me também que muitos filmes de Hollywood são gravados lá. Câmeras em todos lugares, atores em todas esquinas. O calor é fritante, o mar uma delícia. Todos te ensinam a surfar, a remar. Eles querem que você entre no mar e explore tudo que para eles é diário.
A relação estabelecida entre os surfistas da região é incrível. Pai, filho e neto passam os dias olhando para o mar, bebendo uma cerveja e surfando quando a vontade bate. Parece que ninguem trabalha nem estuda. As crianças matam aula para surfar, então precisa-se de guardas para fazer a vigia nos mares. Os hábitos alimentares do continente atingiram a ilha, e todos amam Mc Donald`s, mesmo tendo na ilha uma diversidade enorme de frutas e vegetais.
Incrivelmente os havaianos são tailandeses gordos, o que te assusta no começo, pois pelo que vemos nas telas, o país é lotado de gente bonita, magra e surfista. Mas não é assim. Os nativos da região estão cada vez mais gordos. Entretanto sair para explorar a culinária do local te proporciona o contato com gosotos desconhecidos. Sopas de vietnamitas, peixe cru, muito peixe cru, com temperos diferentes. Quase tudo tem abacaxi, uma vez que esta é a fruta da região. Lá você precisa de um carro para se mover de um lado para o outro. E muita preguiça para poder ficar deitado o dia inteiro tomando uma cerveja e olhando para o mar e pensando "Porque, meu pai, não nasci no Hawaii?".
(por Amanda Martins)


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